domingo, 17 de novembro de 2013

Reforma e Unidade da Igreja - Pelo que esperamos?

   Você já reformou sua casa? O que esta palavra traz à sua memória? Normalmente, quando se faz uma reforma - em qualquer coisa, entende-se que algo velho precisa ser mudado. Numa casa, por exemplo, troca-se a pintura das paredes, muda-se uma parede de lugar, o piso pode ser refeito e, em casos extremos, destrói-se parte da casa para que algo seja drasticamente modificado. Uma reforma sempre terá como objetivo a mudança de algo que o tempo consumiu ou cujos proprietários da casa tenham se ‘enjoado’ de conviver, ou até então pela chegada de novos membros a casa, como quando acontece com a chegada de um bebê que precisa daquele closet como quarto.
    
   E restauração, você já pensou em restaurar algo em sua casa? Diferente da reforma, a restauração tem como objetivo trazer de volta o que havia sido feito no formato original, o que normalmente ocasiona num trabalho muito mais amplo. No universo das Artes, por exemplo, quando se trata de restauração de obras de arte, é necessário um estudo profundo a respeito da forma original como um quadro foi feito, inclusive da vida e obra do artista em questão. Não é tão simples quanto reformar algo que já foi feito, pois deve-se considerar todo um trabalho feito em sua originalidade onde traços e cores devem ser perfeitamente mantidos para que não se perca a marca pessoal do artista nem a intenção com a qual a obra foi realizada.
    
   Quando penso na Igreja, não consigo me desvencilhar destas duas definições: reforma e restauração. E, por vivermos na expectativa de uma nova reforma – a 3ª Reforma, fico pensando também sobre o tipo de reforma que estamos esperando e por qual deveríamos esperar. Não seria mais coerente se pensássemos numa restauração?
  
  Temos visto este tema sendo muito abordado por vários autores e parece-me ser unânime que esta “3ª reforma” se dará em relação à unidade da Igreja, já que a 1ª se deu em relação à Palavra e a 2ª sobre o derramamento do Espírito Santo. Mas, ao observar a história da Igreja, é visível o quanto o pensamento humano se distanciou do pensamento de Deus em relação à unidade. Enquanto homens entenderam que unidade se dava em função do que se tinha em comum no campo das ideias e práticas sacramentais, Deus nos mostra nas Escrituras o quanto tem prazer em ter um povo que, embora seja formado por diferentes pessoas e toda a diversidade de dons, se move em busca de um alvo comum que é cumprir seu plano na Terra, trazendo seu Reino e revelando sua glória. Os homens se dividiram por discordâncias que somente demonstraram o quanto a centralidade não estava na comunhão com Deus, mas em meras atitudes e pensamentos que nada poderiam fazer pela salvação destes. E assim, o que fora estabelecido como padrão original da Igreja foi-se diluindo ao longo dos anos em função de tantas ‘pequenas’ mudanças, que a meu ver, deveriam ter sido consideradas ‘pequenas reformas’. Assim, eu particularmente acredito que a reforma protestante e o derramar do Espírito Santo foram ‘restaurações’ de algumas características originais da Igreja primitiva.
    
    Portanto, não deveríamos esperar pela restauração da unidade da Igreja ao invés de mais uma ‘reforma’? Não seria mais coerente buscarmos, como fazem os grandes profissionais das restaurações de obras de Arte, por conhecer ampla e diligentemente o Autor da Igreja original para compreender seus intentos e interesses ao conceber sua Obra? Apenas através desta busca teríamos a certeza de realizar qualquer intervenção no que já existe a fim de que se retome o padrão original. E, diferente de qualquer tipo de restaurador que não conta com um contato pessoal com o artista idealizador da obra, temos o privilégio de não só ter contato com o Artista Maior, mas desenvolver um relacionamento íntimo e pessoal com Ele ao ponto de ter, de sua própria boca, as ordens necessárias para desenvolver o trabalho. Basta estarmos dispostos a ouvir sua voz e obedecê-lo!
    
   A planta é de Deus. A obra original é de Cristo. Os restauradores somos nós. O meio de comunicação é a oração. E nosso ‘mestre de obras’ é o Espírito Santo. Mas, o quanto estamos dispostos a buscar por este processo?

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