domingo, 8 de setembro de 2013

Sobre a união da Igreja


O cristianismo ocidental, sob influência da civilização europeia, apesar de ter conquistado sucesso na expansão missionária e expressão teológica, se acostumou com institucionalização e sectarismo da igreja. No livreto “União através da comunhão”, Kokichi Kurosaki nos mostra que no Oriente algo diferente tem acontecido como “resultado da medida de fé que lhe foi revelada pela Palavra de Deus, através do Espírito Santo” e “fruto de experiência com outros irmãos em Cristo”, como ele mesmo diz.

                Como no Ocidente, no Japão também existe um “corpo dividido”, devido a tantos missionários estrangeiros provenientes de diferentes igrejas e grupos – bem como de países – o que causa assombro e repugnância aos japoneses que tem conhecido a Palavra de Deus e compreendem que não há como repartir um organismo vivo, ou seja, o Corpo de Cristo. Estas divisões têm gerado inúmeras denominações e seitas, colocando em risco uma atuação efetiva da igreja, pois esta perde sua força e deixa de frutificar por estar baseada em ostentações humanas, além de confundir aqueles que, embora cristãos, se perdem por não saber qual destas seitas representa como eficácia o verdadeiro cristianismo já que os EUA enviam cada vez mais missionários de seitas particulares para a “conversão de novos membros”, tornando visível um equívoco ainda maior que é a preocupação em converter pessoas a seu próprio grupo/seita e não a Cristo. Estes fatos revelam que a raiz de toda essa confusão está nas “ideias falsas e errôneas quanto à natureza essencial da igreja”, pois cada instituição ou seita enfatiza suas peculiaridades como sendo os elementos essenciais da fé cristã, condenando outras que divergem destes elementos. Então, vemos um caminho interminável para as divisões do “corpo” que só poderá ser interrompido se redescobrirmos qual é o verdadeiro centro do cristianismo e aprendermos o que Deus colocou como centro do nosso relacionamento com Ele para que possamos torná-lo o centro de nossa fé.

                Através da história, podemos compreender como a centralidade do cristianismo foi se alterando. Para isso, podemos comparar as seguintes fases:

·         A IDADE APOSTÓLICA: caracterizada pela atuação dos discípulos diretos de Cristo que tinham como centro de sua fé a comunhão com o próprio Cristo e, consequentemente após sua ressurreição, a busca pela permanência desta comunhão através da atuação do Espírito Santo, que tinha como fruto a comunhão com outros que também desejavam a mesma comunhão pessoal com Cristo. Em resumo, o centro da vida de fé para os discípulos diretos de Jesus era o próprio Jesus através de sua comunhão espiritual com Ele. E o testemunho desta comunhão atraia outros que se convertiam à fé em Cristo. Nunca se pensou, durante este período, em fazer da organização institucional o centro da igreja, mas em manter a comunhão e atuação do Espírito Santo como principal atividade de forma a garantir a permanência da centralidade na comunhão pessoal com Cristo.

·         O PERÍODO CATÓLICO: após a instituição do cristianismo como religião oficial pelo imperador Constantino, cessam as perseguições sanguinárias dos imperadores romanos aos cristãos e o cristianismo se espalha rapidamente por todo o território romano, desenvolvendo assim a “igreja” como organização institucional centralizada tendo como “Pai” de toda a igreja um bispo romano e tornando todo cidadão romano como cristão pela lei territorial e não mais pela atuação do Espírito Santo. A fé fica reduzida a um credo formulado para ser lembrado por todos os membros comuns da igreja e os que não professavam tal credo eram considerados hereges e, consequentemente, eram punidos. Fica então o centro do cristianismo voltado para o governo legal do Papa e não mais para a comunhão pessoal com Cristo, já que o Papa torna-se “representante legal do Reino de Deus na Terra” e todos os seres humanos  comuns ficam privados do direito de livremente buscar a verdade e a fé verdadeira já que estavam sob o jugo de sacramentos e rituais que deveriam ser cumpridos para que a salvação fosse garantida e “dada” pelo então Papa atuante. E, como a maioria dos cidadãos era analfabeta, o medo da punição dada pela instituição “igreja” tornava-os reféns de uma fé dogmática e totalmente devota ao Papa e suas leis.

·         O PERÍODO PROTESTANTE: com a Reforma, Martinho Lutero e João Calvino estabeleceram novas igrejas separadas do domínio da igreja romana por toda a Europa. Estes reformadores tiveram como centro de sua fé a busca pela comunhão direta com Cristo tendo a Bíblia como única fonte verdadeira e essencial para isso – onde é dado um passo importante para o retorno à fé primitiva - contrariando todo o império da igreja romana. No entanto, assim como no catolicismo, foi no necessário fazer uma separação dos considerados hereges para que esta “nova” igreja fosse purificada, sendo pouca a diferença entre protestantes e católicos em sua insistência de fazer esta distinção entre verdadeiros “cristãos” e hereges. Assim, com o estabelecimento de novos documentos, protestantes também formularam seus próprios credos onde se vê clara a expressão de falta de compreensão das limitações destes em relação à fé genuína e, consequentemente, ocasiona-se novas divisões do cristianismo em seitas e denominações por divergências de interpretação de alguns textos bíblicos.

Diante das divisões geradas ao longo da história, alguns pontos fundamentais foram considerados “causa”, como a teologia, a inspiração e interpretação das Escrituras e rituais e cerimônias. Entretanto, é importante ressaltar que, embora as divisões ocorressem por pontos de discordância, o motivo maior sempre foi a ausência de foco na centralidade de Cristo e a comunhão com Ele. À medida que um grupo se levantava com suas divergências, se opunha a outros grupos e fechava-se em seu próprio círculo de comunhão. Assim, a igreja protestante tornou-se tão dividida que, aparentemente, parece impossível sua unificação. E a pergunta que resta é: por que não se retoma a unidade da igreja ao invés de apenas ficar rebatendo as crenças de outros grupos? Por que não se arrepender do pecado que gerou tantas divisões? Tais respostas não parecem tão simples, mas suas soluções não são impossíveis. Ou estaria Cristo satisfeito com a divisão de seu próprio corpo?

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